Postagens mais recentes e tal... Quer ver meu passarinho? O Facebook tá dando tanto bug que me cansa. O que ando ouvindo. Ou ouço andando. O que ando vendo. Ver andando não é recomendado. Não sei tirar fotos decentemente. Fuck feed.

Wanderlust

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wan·der·lust
[won-der-luhst] noun
a strong, innate desire to rove or travel about. | Dictionary.com


No auge da adolescência desafiadora houve um tempo em que meu maior sonho era sair por aí sem destino traçado, na companhia exclusiva do desígnio de gozar de um estado de felicidade pelo maior tempo possível. Naquela época tudo aludia a negativismos de toda a sorte... queria sair, fugir, escapar. Mas existiam receios, palavras que perpassavam a razão e cruzavam meu corpo de cima a baixo, fincando meus ao chão da realidade... Hoje a vontade de sumir está latente sob o medo de arriscar-se a mudar.

Björk | Wanderlust  ♪  letra

Ainda assim, fantasiar é preciso. Sonhar é necessário quando se quer manter alguma sanidade nesse mundo tão infecto de poluições moralistas e pré-julgamentos descabidos desde a própria origem. Do momento em que você pinta a imagem de um refúgio, estabelece para si uma espécie de simulacro, usado para atuar como mecanismo de defesa para garantir sua integridade até o momento em que migrará para lá...


via Trey Ratcliff  | Google +

Pode ser um pouco lírico, um tanto estúpido, mas é exatamente o que chamo de esperança. No entanto, como se diz no vídeo: todo mundo está esperando demais. Até que medida você é agente dentro da realidade em que vive? Ou apenas reage ao que apresentam?

Não julgo essa gente tachada de 'louca' em delírios quase parnasianistas. Admiro-as... ainda que exista uma faceta não racionalizada quando vemos esse tipo de desligamento material, uma crítica contraditoriamente auto-contida: abster-se de uma vida de luxos implica poder optar por não tê-la.

Isso é o que tenho sentindo na vida adulta: um número crescente de pessoas desesperadas por um resgate, por alguém que as extirpe desse torpor inercial que é sobreviver e as leve para viver algo... diferente.

Bell Book & CandleRescue Me  ♪  letra

Nesse contexto assumo e encaro tal evasão como... paliativa. Reconheço que se de um lado existe grandeza suficiente na vida de cada um para se dar ao direito de imergir nessa efêmera felicidade, de outro lado vejo a pequenez derrotista de uma índole indulgente, de uma alma diminuída persistentemente por egos insuflados de outras pessoas agindo por trás de nomes corporativos, contaminando tudo e todos que sua deturpada ideologia conquista, como um grande polvo ou uma hidra, envenenando com seus tentáculos ou peçonhas a inocência ingênua de quem nunca provara qualquer dos lados do poder: oprimido ou opressor.

Mas não vou estragar a beleza desse momento de torpor para avaliar a natureza humana e seu papel determinista nas desigualdades sociais... Indago: como ousar a dar um passo maior que as pernas quando se sente que elas estão arraigadas pelo medo no cotidiano?

Só queria pontuar que meus olhos encheram d'água quando assisti ao vídeo "Oh, the places you'll go" aí em cima. E isso quer dizer algo... Infelizmente está em inglês... se puder, peça a alguém que o traduza para você... vale a pena. =)

Resoluções 2012

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Revisando minhas resoluções para o ano que se finda, fico feliz em ter alcançado várias metas. Como algumas ficaram de fora, repriso-as para o próximo ano, porque não me contento em não atingir meus objetivos. Talvez alguns pareçam meio reticentes, mas sei da especificidade de cada.

01 ::. retomar os estudos acadêmicos, escrever um projeto de Mestrado.

02 ::. parar de procurar alguém com quem eu combine; geralmente encontro coisas quando paro de procurar... talvez funcione com pessoas.

03 ::. assistir ao menos a dois shows internacionais.

04 ::. fazer minha tattoo.

05 ::. cortar a carne vermelha e consumir menos produtos de origem animal.

06 ::. dançar muito mais (literalmente), de preferência em boa companhia, nem que seja a própria.

07 ::. (re)visitar amigos.

08 ::. prestar e passar em concursos públicos para cargos cujo salário seja igual ou melhor que o atual, mas para ambientes onde haja mais respeito e reconhecimento pelo trabalhador - de preferência com carga de 6h diárias.

09 ::. voluntariado.

10 ::. poupar para mudar fisicamente - calma, não vou trocar de sexo.

11 ::. comprar em menor quantidade e em maior qualidade.

12 ::. atingir um padrão corpóreo que me agrade, aumentar mais a massa muscular, cuidar mais da 'casca'.

13 ::. meditar um pouco mais para reconectar com meus canais mediúnicos e seguir mais minha intuição.

14 ::. voltar ao Atlântico.

15 ::. conhecer um outro país, quiçá europeu.

16 ::. ajudar a instituição que escolhi com mais frequência e conhecê-los melhor.

17 ::. distribuir melhor meu tempo, assim não preciso sacrificar nada.

18 ::. poder dizer que de fato sei tocar alguma coisa (baixo) e começar a aprender outra.

19 ::. arranjar novos hobbies.

20 ::. ler e escrever muito mais, manualmente e digitalmente...

fonte :: Fabio de Luca | Flickr.

Bom, se chegarmos a 2013 espero que tenha alcançado todas as metas e mais... E torço para que vocês atinjam seus objetivos, especialmente os que trarão felicidade para si e para aqueles de que gostam. Feliz 2012, amigos!

Top Álbuns de 2011 (Por Mim Mesmo)

Olha só, detesto lista de melhores disso ou daquilo. Porque tudo depende de quem arrola. Critérios são subjetivos. Os meus são os seguintes: ficou na minha playlist o ano todo, causou-me felicidade, fez-me dançar e cantar, duas ou três músicas ficaram na minha cabeça ao longo do ano, indico, ouço o álbum de cabo a rabo sem sentir que passou tudo e quando acaba acho que foi rápido, quero ouvir mais, quero comprar, quero repeat.

A maioria dos artistas atualmente mantém perfil no Facebook, dando menos ênfase aos sites oficiais, que funcionam como agregadores de links para os perfis nas redes sociais. Boa parte desses álbuns não está disponível em território brasileiro, de modo que a importação sai bem cara; o que tinha no Brasil tá linkado nas capas dos CDs, ou dê risadas com os preços do importador mais... acessível? Se for comprar e pretende pagar o necessário para ter algo sublime em mãos, procure pelas edições mais completas dos álbuns. Vamos à lista:

1 ::. Adele - 21

Sítio oficial :: Amazon :: iTunes :: Facebook

Amo essa mulher. Não de um modo piegas. É um amor que ela conquistou. Adele não é novata, sabemos disso. Seu primeiro álbum, 19, só me chamou atenção com o primoroso remix do Basement Jaxx para a já excelente faixa 'Cold Shoulder'. Mas não há pessoa dotada de coração e sentimentos nele que não tenha deixado cair uma lágrima pensando, ouvindo, prestando atenção no que Adele veio cantando com a alma em 21... Ao ganhar acesso irrestrito à alma das pessoas que a ouvem de coração aberto, Adele conquistou seu espaço no mundo como uma das artistas mais queridas, quebrando recordes de vendas em toda a parte. Não tenho palavras para descrever como esse álbum traduz muito de mim. Faixa preferida: 'Someone Like You'.

Vídeo oficial • 'Someone Like You'



2 ::. Florence + The Machine - Ceremonials

Outro álbum que causou muita ansiedade no pré-lançamento, assim como a continuidade da Adele, Florence Welch e sua maquinaria conseguiram, ao meu ver, produzir um álbum que denota o crescimento da banda, não somente no aspecto da produção, mas também da complexidade e amplidão que as letras das músicas abarcam de um modo paradoxalmente simplista... Ouvir Ceremonials é como contemplar a imensidão de um céu estrelado e pensar sobre a vida: simultaneamente simples e complicado. Minha única dúvida é: estarei ou não no show brasileiro à véspera do meu aniversário? Faixa preferida: 'Remain Nameless'.

Vídeo oficial • 'No Light, No Light'



3 ::. Foster The People - Torches


Estreantes sempre são bem-vindos. Neste ano houve muitos para oxigenar o cenário musical internacional. Alegra ainda mais quando são bandas cuja atitude traz um espontâneo sorriso ao rosto, gente que se propõe a colocar nas pessoas aquela tão rara sensação de felicidade sonora que temos ao ouvir algo tão... divertido. Essa é a palavra que define os norte-americanos do Foster. Descobri a banda também graças a alguém de bom gosto da MTV Brasil (ainda tem gente assim lá, fora da faixa de horário do povão, claro) e fiz questão de divulgar quando concluí meu vício em 'Pumped Up Kicks'. O álbum todo segue a vibe californiana electro-moderninha-brisada que gruda fácil na cabeça. A voz relativamente infantilizada de Mark é viciante (paralelo com Adam Levine). Todos os integrantes são super engraçados, educados e em 2012 vêm ao Brasil para dar o ar da graça. Faixa preferida: 'I Would Do Anything For You'.

Vídeo oficial • 'Don't Stop (Color On The Walls)'



4 ::. Melanie C - The Sea


Aposto que quem ouviu 'Rock Me' não achou que The Sea seria tão bom quanto é... Só depois de ouvir o álbum - uma única vez foi suficiente - concluí que este é o melhor trabalho da Melanie C até agora. Todo muito bem produzido, com letras e arranjos inteligentes, canções que se sustentam em remixes e versões acústicas, a flexibilidade do álbum acaba casando com a personalidade da ex-forever-Sporty-Spice. Depois de passar pela cena independente, altos e baixos nas vendas, ser a última Spice a virar mãe, Melanie está mais que consciente de sua maturidade como artista e continua muito atenciosa com os fãs. Gostei de como o lado alternativo e rocker é explorado, mas mantém espaço para o pop que trouxe Mel C ao mundo. Faixa preferida: 'Burn'.

Vídeo oficial • 'Think About It'



5 ::. Nicola Roberts - Cinderella's Eyes


Nunca fui com a cara do grupo de que Nicola fazia parte, Girls Aloud. Eca. Mas quando as via, me interessava e identificava com a ruivinha no canto, sem muito brilho no meio de tanta loira peituda com cara de p..., uma mulher fascinante pelo mistério que a postura deslocada dela emanava. Eis que surge a Cinderela, cheia de letras autobiográficas e batidas deliciosamente dançantes neste álbum que foi um dos melhores álbuns pop em anos, no que considero ser um álbum desse gênero. Nicola saiu do casulo e com elegância foi conquistando aos poucos os ouvidos e outras partes de seus fãs e ouvintes... Ignoro as classificações negativas no YouTube, porque não as entendo. Esteve no meu MP4 quase o ano todo e não enjoei! Faixa preferida: 'Say It Out Loud'.

Vídeo oficial • 'Yo-Yo'



6 ::. Oh Land - Oh Land


Existe algo de sublime no que vem dos cantos recônditos da Europa... Podemos tentar classificar neste ou naquele estilo, mas ainda tem uma 'coisa' que é própria demais para qualquer rótulo. Tanto é que os norte-americanos criaram etiquetas tipo europop, britpop... tão diferentes essas misturas que o povo do lado de lá do hemisfério faz... Oh Land é classudo, chique... Tenho a impressão de que é algo que grandes artistas ouvem e consomem mas não dizem por aí; querem guardar para si. Esse segundo álbum é menos experimental, não menos orgânico, apesar de mais elétrico que o Fauna. Os visuais da banda também são bem intrigantes. Cansei de usar frases desse álbum em conversas cotidianas: 'we don't care what you say', 'you sun of a gun', 'you can make it click'... nem vou dizer em que contextos. Faixa preferida: 'Human'.

Vídeo oficial • 'White Nights'



7 ::. Dev - The Night The Sun Came Up


Dev é outra dessas que a gente gosta de uma, duas, três músicas e depois descobre que eram do mesmo artista... Com uma pegada eletrônica forte, Dev consegue encantar qualquer um quando canta suas poderosas músicas dançantes em versões acústicas derretedoras. Fiquei atônito ao saber que o release oficial do álbum ficou para 2012, mas mantenho o álbum na lista porque ouvi e continuo ouvindo até a última ponta faz tempo. Faixa preferida: 'Bass Down Low'.

Vídeo oficial • 'Bass Down Low'



8 ::. Clare Maguire - Light After Dark


Sou louco por essas morenas branquelas de olhos claros e bocas carnudas. Quando são altas e têm uma voz potente acompanhada de um acento britânico, ouch! Clare tem uma trajetória estranha ao longo do ano; não sei exatamente se nem onde ela teve alguma projeção, mas esse álbum é uma das melhores coisas que ouvi no ano. Letras e arranjos bem orquestrados, as percussões quase remontam a uma sonoridade épica, e os violinos e coros pincelam sofisticação pelo álbum. Tem-se a impressão de que é uma trilha de um bom filme na terra média, por vezes. Elegi a bonita como a próxima Annie Lennox. Faixa preferida: 'I Surrender'.

Vídeo oficial • 'The Shield And The Sword'



9 ::. Aqua - Megalomania


Que retorno! Sou fã do grupo, então sou suspeito. Desde meados dos anos 90's o grupo dinamarquês vem trazendo ao pop algo de lúdico e ambíguo. Depois de uma pausa desde os anos 2000 - sem contar o Greatest Hits, que até trouxe excelentes faixas inéditas, mas não deu crédito ao ainda duvidoso retorno da banda - Megalomania veio cheio de humor explícito e, até certo ponto, irreverente. Para o que se considera dance, o álbum traz composições bem interessantes, repletas de metáforas, além de beats bem atuais, que garantem a presença animada da banda em festinhas de qualquer tipo. Faixa preferida: 'Like A Robot'.

Vídeo oficial • 'Playmate To Jesus'



10 ::. Katy B - On A Mission


Katy B não traz algo de realmente novo, tampouco é novata. Esse álbum na realidade compila faixas que a moça vem divulgando há anos nos clubs britânicos e cai no que classifico como powerpop. Aliás, só pensei nesse rótulo depois que li um comentário em algum lugar questionando se a Katy não faz o mesmo que as Sugababes sempre fizeram. Poizé. Agora, se existe mérito por uma fazer o que um sem número de outras gurias em diferentes lineups faziam entre tapas, cada um que defina para si. Gosto delas todas. Provavelmente um dos mais bem aproveitados álbuns so far. Faixa preferida: 'Witches Brew'.

Vídeo oficial • 'Witches Brew'



11 ::. Sophie Ellis-Bextor - Make A Scene

Sítio oficial :: Amazon :: iTunes :: Facebook

Falando em álbuns bem aproveitados, esse milagrosamente lançado pela Sophie já veio meio gasto, não menos fabuloso. Make A Scene foi um parto; a Sophie parece meio apática quanto a continuar sob os holofotes, mas enquanto ela não se decide, que continue fazendo boas parcerias que rendem hits - bem marcados na primeira metade do álbum. A verdade é que sinto falta da presença dessa girafa glamurosa nos palcos e boates da vida. Faixa preferida: 'Heartbreak (Make Me A Dancer)'.

Vídeo oficial • 'Heartbreak (Make Me A Dancer)'



12 ::. Beyoncé - 4
Quando foi lançado, não houve quem deixasse de torcer o nariz para o quarto álbum da suculenta diva. Carregado em baladas diferentonas e faixas rápidas mais barulhentas que o habitual de Bey, 4 veio quebrar um pouco com o patamar hip hopper em que a norte-americana brilhava, lançando-a nas graças do funk à la M.I.A. e nos grooves oitentistas. Mas não acho foi isso que garantiu o sucesso desse álbum; duas coisas o promoveram consideravelmente: uma sequência de clipes inspirados e inspiradores, e a gravidez de Beyoncé, quando a moça se tornara aos olhos da mídia e dos fãs uma das mamães-modelo dentre as estrelas. Pra mim, Beyoncé segue firme desde sempre, com muito carisma e talento, traços inerentes de sua personalidade. Sem dúvida um ícone da atualidade. Faixa preferida: 'End Of Time'.

Vídeo oficial (live at Roseland) • 'End Of Time'



13 ::. IAMX - Volatile Times


A banda do Chris Corner é tão ou mais excêntrica que o próprio. O que vem a sua mente quando pensa nos becos escuros com uma única luz neon vermelha ou verde faiscando ao fundo numa Berlin friamente moderna? IAMX vem a minha cabeça. São imagens reconhecidamente perturbadoras. Intencionalmente questionadoras. Propositadamente violadoras. Volatile Times é denso, pesado, crítico, escrachado... tudo o que o IAMX se propõe a ser desde o início. Faixa preferida: 'Cold Red Light'.

Vídeo oficial • 'Bernadette'



14 ::. Lykke Li - Wounded Rhymes


Nossa, estou percebendo certa fascinação que tenho por gente estranha. Lykke é dessas. É uma beleza diferente. Uma voz intrigante. Um modus operandi que é só dela. Mesmo quando espinafra no palco. Nessas rimas feridas a sueca transforma transtornos íntimos em valsas com um quê country-blues bastante grave, de percussões animalescas em certos momentos... Comparativamente, é uma continuação da boa qualidade que nos apresentou no primeiro álbum. Faixa preferida: 'I Follow Rivers'.

Vídeo oficial • 'I Follow Rivers'



15 ::. Bush - The Sea Of Memories


Retorno! Muito bom, por sinal! Achei que depois de tentar com o Institute, flopar na carreira solo e meio que ficar à sombra da ensolarada Gwen Stefani, o maridão ia sossegar o facho e cuidar das crianças, já que o Bush tinha ficado na memória do pós-grunge. Mas eis que ressurge das cinzas e em boa forma o bom rock dos ingleses. Aliás, recomendo todos os projetos do Gavin Rossdale - que já foi muito criticado por compor porcamente, ao meu ver por gente que não entende entrelinhas. Faixa preferida: 'The Afterlife'.

Vídeo oficial • 'Sound Of Winter'



16 ::. Lamb - 5


Outro majestoso retorno que muito foi questionado. O Lamb é dessas bandas alternativas que é referência em alguns pontos do planeta; tem uma combinação quase etérea das bases que Andy cria e da voz ufológica de Lou Rhodes - cuja carreira solo ainda bem que não decolou. É um álbum ambiente, do tipo que se ouve para sentir, cada linha de grave, cada batida, corda, tudo muito sinestéstico; 5 cria cores - marca que a banda traz de volta à nova década. Faixa preferida: 'Existential Itch'.

Vídeo oficial • 'Build A Fire'



17 ::. Coldplay - Mylo Xyloto


Sou fã do Coldplay. Houve um tempo em que a banda tomou um caminho que não me agradou tanto e acabei priorizando outras bandas, mas nunca deixei de acompanhá-los. Temos história. Tive a chance de vê-los ao vivo e recomendo - pena que agora seja em estádios. Esse álbum de nome estranho tem elementos poptásticos e flertes electro-hip-rockers numa mistura a que a capa ultra-colorida talvez faça alusão. A presença de Rihanna talvez seja um dos melhores featurings que a banda já fez... Sabe quando a gente mistura um refrigerante com algum suco ou bebida e jura que não vai sair coisa boa, mas quando toma se surpreende?... esse é o quinto - e talvez (mais uma vez) último - álbum dos britânicos. Faixa preferida: 'Don't Let It Break Your Heart'.

Vídeo oficial • 'Paradise'



18 ::. Darren Hayes - 
Secret Codes And Battleships


Darren é um cara complicado. Uma versão mais modernosa de George Michael, diria que ele tem momentos chatinhos e fases brilhantes desde a época em que dava voz ao Savage Garden. Mas a despeito dessa faceta enjoadinha do australiano, seu retorno é marcado com um álbum prazeroso, de baladas gostosas e músicas pra dançar sem culpa. Uma ótima criação pop, Secret Codes And Battle Ships foi crescendo no meio virtual até virar realidade, fruto da grande comunicação entre o artista e seus fãs. Faixa preferida: 'Stupid Mistake'.

Vídeo oficial • 'Talk Talk Talk'



19 ::. Sophie Barker - Seagull

Sítio oficial :: Amazon :: iTunes :: Facebook

A Sophie é uma fofa. Uma das artistas que contribuíram ao trabalho do Zero 7, uma grande banda de trip hop (meu gênero favorito), talvez uma das maiores referências na cena alternativa do naipe. Sophie esteve sempre trabalhando, mas como todo artista do mundão, nunca brilhou nos States - o que infelizmente ainda é visto como um fracasso. Esse álbum reúne algumas músicas que a britânica vinha divulgando noutras oportunidades, mas parece que a divulgação norte-americana foi bem mais sólida... É uma voz deliciosa de se ouvir. O álbum termina sem que notemos. Fico feliz em vê-la crescendo! Faixa preferida: 'Seagull'.

Vídeo oficial • 'Say Goodbye'



20 ::. Lovers Electric - Impossible Dreams
Mais uma banda lá da terra dos cangurus. Amo como os australianos conseguem misturar gêneros sem estragar as músicas. Só não fazem melhor que os suecos e dinamarqueses. Acabei esbarrando no Lovers Electric como um vídeo relacionado no YouTube. Nem me lembro o que estava vendo, mas pulei de um vídeo pra outro da banda e em pouco tempo me peguei cantarolando as músicas deles. Vale conhecer. Faixa preferida: 'Could This Be'.

Vídeo oficial • 'Could This Be'



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Acrescentaria outros álbuns, mas embora cumpram com a maioria dos critérios que alistei lá em cima, ficaram comparativamente diminuídos em relação aos antecessores, como os mais recentes do Robots In Disguise, Radiohead... e tem outros muito bons, mas que não me levaram ao eargasm, tipo Friendly Fires, Rihanna, M83, Make The Girl Dance... De qualquer modo, 2011 foi um ano de boas produções na música, ainda que se fale sobre a pirataria como vilã desse mercado, continuo consumindo e baixando muita coisa. Compro sempre que posso. Se não posso, ajudo a divulgar e faço um esforço descomunal para ir aos shows se as bandas passarem pelo Brasil e os preços forem convidativos.

Expectativas para 2012: No Doubt, Garbage, Roísín Murphy... putz. Já vai começar. Vejamos qual será a trilha sonora do fim do mundo em 2012. =)

Abatedouro

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fonte ::. Bask164 | DeviantArt

Pensei em diversos títulos para esta postagem... Foi difícil chegar a um que sintetizasse uma pergunta que venho me fazendo: toda a superficialidade das coisas que fazemos está quão arraigada no que somos? O que você tem a oferecer? Sim, volto a falar de aparências. Não julgues um livro pela capa. Bullshit. Ora, se você clama não se importar com o modo como se apresenta aos olhos alheios, bem como ao julgamento e às críticas que provêm desse raio-x ininterrupto que a sociedade nos inflige, provavelmente deve cair numa das seguintes classes: 1) tem um puta talento, não precisa de se ligar nos looks quando seu intelecto é suficiente para te prover lugar ao sol; 2) tem beleza, do naipe que põe o que se quiser à mesa. Ei, pode parar com as relatividades do negócio...

Se o ser humano não fosse social talvez até pudesse haver algum argumento que derrubasse essa falácia de que aparência é um detalhe. Pode até ser, mas um dos mais importantes, se pensarmos que a vida é uma coletânea de detalhes. De repente até concordo que dependa dos seus objetivos. Ou da falta deles. Suponhamos que se queira significar algo para alguém, uma carreira que sustente, uma vida social não tão agitada, alguns romances eventuais... Creio que as possibilidades de que isso tudo ocorra aumentam se tivermos atenção à casca, àquilo que nada representa aos que não enxergam: você por fora.

Cuidar de si nesse contexto nem sempre me foi tão patente. Os tempos de baixa auto-estima na infância e adolescência foram fundamentais para construir o núcleo do que penso ser uma personalidade forte e conturbada na mesma medida, mas também contribuiu para forjar um caráter que dificilmente os sortudos daquela segunda classe a que me referi (os consensualmente belos) exibem - até porque a primeira classe (os ultranerds ou megatalentosos) realmente não dá a mínima. Tudo é uma questão de amostragem e de quão seguros estamos com nossa própria imagem. Aliás, preciso abrir uma daquelas gostosas divagações...

Já parou pra pensar no que significa sua imagem? Rebatimentos da sua existência racionalizados via sua percepção. Yeap. Como saberia detalhes de sua aparência física se não fossem retratos, reflexos e outras projeções que o jogo de luzes registra em diversas superfícies e momentos? E o outro? Das outras pessoas temos a impressão descritiva do que somos. No outro temos também o mesmo conjunto de reflexos, do nosso eu refletido em suas retinas, aparência racionalizada depois de passar por esse conjunto cognitivo que não posso detalhar agora, ainda mais considerando o quanto as aparências enganam... Se você nunca pudesse SE ver, contaria apenas com a descrição que outros fazem do que viram em você. Lembro-me de uma charge do Maurício de Souza em que o dinossaurinho Horácio entrou em depressão ao constatar numa superfície de rocha polida o quanto seus braços eram curtos... =(

Pois é, quantas vezes nos olhamos em espelhos, vidraças, vidros de carros, espelhos d'água, deletamos e editamos imagens de fotografias digitais nossas até que nos achemos agradáveis o suficiente para seguir adiante? Um dos meus hobbies como pseudo-cientista-social é observar o comportamento das pessoas e não consigo afirmar se isso é cultural ou individual... Bah! Vou tentar não analisar os outros; isso é um blog, então voltemos pro meu umbigo... Esse outro desabafo é pra dizer que quanto mais tempo e dinheiro gasto tentando "me melhorar", mais me pergunto pra quê, pra quem e por quê?

"Quer aparecer? Pendure uma melancia no pescoço." Já ouviu essa?
fonte ::. SecondLifeFashionAddicted

Nada de se entregar ao Chronos e deixar a gravidade agir impetuosa sem os devidos cuidados. Mas onde está o limite? Uma incansável luta contra os sinais do tempo, contra os traços de primitividade (fazer barba, por exemplo), para se vestir adequadamente, isso e aquilo. O que rende? Emprego, promoções, atendimento 'diferenciado', fama, glamour, amigos, sexo... Tudo isso e um pouco mais. E foi um muito de tudo isso e um pouco mais que matou Amy Winehouse, nosso exemplo mais recente de como alguém daquela primeira classe - no caso, uma pessoa talentosa - pode se deixar contaminar e se perder nesse mundo supérfluo de aparências... ou antes foi nas drogas? A ordem dos fatores não altera o fato e o fardo de que ela está morta.

Mas e o conteúdo, onde fica? Dentro. Se as pessoas não se importassem com as capas, todos os livros as teriam iguais. Aliás, tudo seria visualmente homogêneo. Pasteurizado. Tediosamente indiferente. Nesse ponto me espanta a sacada divina ou a perícia natural de nos fazer tão similarmente desiguais, com inúmeros traços que nos definem enquanto espécie, entretanto com tantas características que nos distinguem entre si e nos grupos que essa herança, apresentação e comportamento nos colocam.

Mesmo querendo se eximir disso, você cai dentro: o eremita, o monge, o esquisito, o alien... Existem diversos rótulos para quem acha que está imune. Droga.

fonte ::. westzone | DeviantArt

Sempre parece que estou me perdendo na linha de raciocínio, mas falar da imagem que temos de nós mesmos, sobre o zelo com a aparência física ser mais condicionada socialmente do que um sentimento genuinamente engendrado no sujeito, exige que façamos esse diálogo de escalas: dentro e fora, indivíduo e grupo. Em tempos de discussão sobre o bullying e outros preconceitos e violências que estão relacionadas com essa questão, de como cada um de nós se sente pertencente a um grupo e é acolhido nele, cabe perguntar: quantos de nós pregam importar-se com o que vai além das aparências e age em desacordo? Quantos lutam para fazer parte de uma daquelas classes, os inatingivelmente lindos e os sobre-humanamente talentosos, em tentativas desesperadas de serem notados e nunca são vistos além da aparência negligenciada, porque literalmente se matam querendo ser mais magr@, mais forte, mais pegador(a), mais inteligente...? Tudo para não ser a última bolacha do pacote, o último a ser escolhido pro time, ser desejad@ por alguém; no fim, não queremos estar sós e por isso nos sujeitamos e reafirmamos tais critérios de seletividade social.

Guess what? Viemos sós, partiremos sós. Tudo parece paradoxal quando soa como um grande ciclo vicioso. E por mais que comentemos, conversemos, concordemos ou não, esse mundo não está errado; nós estamos.

Sinestesia: Por uma vida (a 2 mais) saudável

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Havia prometido uma postagem nova faz um tempinho... Mas a verdade é que depois de pronta, o contexto que a engendrou se desfez. Embora pareça deslocada, não quis descartá-la, principalmente porque permance válida na mensagem que procurei passar.

Não tenho experiência em relacionamentos de qualquer espécie. Nem por isso acho que minhas opiniões neste quesito são inúteis. Pelo contrário, considero-as tão valiosas que gostaria de ter a iluminação necessária para prevê-las e utilizá-las para mim, mas infelizmente elas só funcionam quando os outros vêm me pedir aconselhamento; qualquer situação problemática pode ser avaliada melhor quando não se está diretamente envolvido nela.

Vou parar de enrolá-los. Sabem como posso ser digressivo... Acontece que não vejo dificuldade em conseguir algo carnal hoje em dia. Quer dizer, qualquer adulto que se menospreze e saia pelas esquinas do núcleo de uma grande cidade ou de lugares manjados como academias e shoppings, onde os hormônios quase tomam forma própria tamanha a tensão sexual nesses ambientes, enfim, qualquer um que se proponha a tal naipe de aventura sabe que não é complicado, não raramente gratuito e eventualmente até bom enquanto dura. E só.

Mas e a intensidade? Esqueça a força. A quentura do momento. Refiro-me àquela vontade de ter alguém do seu lado, para dormir, acordar, sorrir e chorar, ou só contemplar... Algo mais que um simples namorinho ou uma louca transa ocasional. Existem fases da vida em que provavelmente um ou outro é tudo o que queremos. De uns tempos pra cá tenho refletido muito sobre este aspecto da minha vida e usando essa espécie de modus operandi de se passar por ela, venho elencando o que não quero, arrolando aquilo que gostaria de ter, como gostaria de estar... assim, digamos, compondo tudo o que quero por exclusão daquilo de que quero distância.

Imagino que a beleza de ser humano está em racionalizar a percepção de que todos nós, animais, somos dotados – ainda que alguns tenham certos sentidos mais aguçados ou reprimidos. Claro que pensar sobre o que se sente vem num segundo momento, posterior ao contato cognitivo... Tá, parei com a chatice. Deixa eu retomar a citada figura de linguagem e explicar como encaixá-la no que quero e preciso num relacionamento, na vida, de um modo geral: a sinestesia compreende a permuta dos sentidos, uma deliciosa troca literária de percepções. Na prática consiste em algo como "ver um som", "ouvir um cheiro", tocar algo que te traz uma memória visual de um lugar ou pessoa, situações que transcendem a lógica quadrada das caixas com rótulos em que tendemos a enfiar tudo.
Estar junto é mais que estabelecer diálogos cotidianos inteligíveis... Gostar de verdade de alguém é também saber exaltar o silêncio, estimar e estimular a exploração sensorial do outro. Olhar olho no olho, através do olhar, no que se reflete nele, em quem se reflete nele. Apaixonar-se antes por esta reflexão, depois por quem a exibe.

Estou certo de que já falei sobre isso aqui no blog, mas como poderia me cansar de enaltecer essa sublime conexão que temos o poder de fazer e a maioria extirpa? Explorar odores, a experiência tátil, olhar todas as marcas do corpo alheio, saboreá-lo. Quantos podem reconhecer de verdade suas parceiras ou parceiros somente por um dos sentidos? Como você descreveria o cheiro da sua amada? O toque no seu amante? Os sabores da sua esposa? Diga-me quais as marcas de nascença, pintas ou sardas que o seu namorado tem, onde são? Muita gente acha besteira, secundário, estúpido. Acho intenso, profundo, uma verdadeira prova de cumplicidade, adoração, paixão e amor.

Como as coisas vão hoje em dia, o povo sabe (mais ou menos) onde estão os 'buracos' utilizáveis e os evitáveis – por uma questão de gosto, se me entendem... Contudo, acho difícil dizer se é bom ou ruim marcar essas impressões... Recordo-me de situações quando passo em lugares ou sinto perfumes, quando toco, vejo gestos ou provo algo cujo sabor me remete àquelas pessoas que deixaram um pedaço de si em mim; no coração e na mente – interligados intrinsecamente nesses flashes. Somos tomados de assalto por lembranças saudosas, nem sempre boas, mas resíduos que de alguma forma mereceram lugar para o resgate.


A personagem Emma tinha a habilidade de sinestesia aguçada na falecida série Heroes.

Só penso ser possível fazer tal conexão quando em silêncio. Repare como você percebe cada coisa com seus diferentes sentidos de um modo diferente quando se cala. Até se conseguir refrear seus pensamentos um pouco. Você não precisa deles pra sentir. O mundo ganha outros contornos, mais vívidos. Estou certo de que nosso cotidiano tem feito muito para nos entorpecer e 'cortinas' sensoriais estão encobrindo a beleza de cada cena e cada segundo. Não se prive de viver isso com alguém de que gosta. É possível introduzir isso no relacionamento sem forçar a barra. Curta a sua guria, seu cara, assim... Sem palavras. Abra espaço pra isso. Pense que você de repente foi privado de um de seus sentidos e tem que reconhecer @ outr@ com os demais. Ou que dispõe de um só sentido para fazê-lo.

É sim um tanto lúdico. De modo algum estúpido. Existem até algumas brincadeiras em programas de auditório que comprovam que casais quase seculares desconhecem tais essências nas parcerias: um senhorzinho que confunde a esposa de 50 anos de casados com outra senhora que cheira bem diferente, mas tem a mesma textura de pele, mesma estatura e corte de cabelo, fora reprovado numa prova tátil fútil, de olhos vendados. Coisas do gênero, entendem?

Se não vai fazer mal, por que não incrementar o relacionamento? Estreitar os laços conhecendo de verdade com quem você está? Aprimorar a vida sentindo-a verdadeiramente. Try it. Exercise it. I'm sure you won't regret this. ;)